Querer não querendo.

Vejo-te ao longe e todo o meu corpo tem uma qualquer transformação. Bato num amigo, crio conversa e tu caminhas como se ainda não me tivesses visto. Estás mais perto, consigo observar-te e os nossos olhares cruzam-se (adoro quando por breves segundos não existe nada mais que nós por entre a multidão, apenas nós). O meu corpo gira-se quando sinto o teu afastar-se e apercebo-me que as os vidros da porta do pavilhão fazem reflexo, rio-me tal como uma criança e regresso ao meu lugar. Entras sem olhares uma unica vez para trás, e eu prossigo o meu caminho. Encontrei desculpas para entrar no pavilhão mas nunca tive coragem de desviar o olhar para procurar por ti. A aula começa e eu não consigo retirar os olhos do chafariz enquanto aguardo que venhas beber água. O tempo passa e não te vejo chegar. Talvez te tenhas esquecido, talvez não penses em mim e não passe de apenas mais uma . "Take it easy" , saí da aula e ainda assim encontrei novamente uma desculpa para esperar que saísses . Assim que te vi começei a descer lentamente, nem sei porque o faço, só sei que o fiz. Encontro-me agora a caminhar á tua frente com a J. a meu lado , sem ela se aperceber do que se passa. Digo-lhe "não olhes para trás" e quase morro de ataque cardiaco quando a oiço gritar " porque é que nao queres que eu olhe para trás Rita? Diz-me" - enquanto todo o seu corpo roda e pára á procura de uma explicação plausivel. Mantive-me calma mas não contive o riso. Criei conversa enquanto te encontravas num outro grupo e quando te procuro vejo que não estás. Olho em todas as direcções e não te vejo até que ali estás tu . A subir aquele caminho que sempre subiste e eu sempre contestei, corro e ando, ando e corro, páro, ando e volto a correr. Ali estás tu , chamo-te com coragem e sorris-me . Caminhas para mim e conversamos sobre o dia , o que fizemos , o que não fizemos , a aula de educação fisica e confessas-me que como não te permitiram ir beber agua estávas á espera que fosse eu aparecer. Não tiro os olhos de ti , eu tento mas não consigo. Até que sem querer os meus lábios te sussuram " posso provocar-te?" e oiço " não " enquanto te ris como quem o quer . Não deixaste passar muito tempo até que me desses a entender que o querias. Brinco contigo, aperto-te os mamilos e tento levantar a camisola que esconde os abdominas que eu ainda nao vi e me limitei a sentir. Riste e paramos a olhar um para o outro. Despedi-me e desci aquela rua. És um querer não querendo, mas fazes-me sentir apaixonada como se fosse a primeira vez. Não me faças gostar de ti , deixa que me proteja primeiro .

tags: , ,
sinto-me: desprotegida
publicado por Lébasi às 19:35