Mudem.me.

Não consigo respirar, á uma impressão na garganta que me incomoda. Olho para o ecrã como quem procura as respostas sem sequer perceber quais são as exactas perguntas. As maçãs do rosto contraiem, não tarda as lágrimas vão cair, mas não agora. Agora eu vou prende-las porque preciso de ser forte. Preciso de sentir, sentir a dor, sentir a raiva. São palavras não ditas que me atormentam, estou triste. Sinto os olhos a inchar, aperto a mão direita. Preciso de respostas, porquê? O meu mundo mudou hoje, num só dia. Perdi-me entre o nojo e a desilusão, e tu estavas ao telefone comigo. Não entendo como é que vivemos num mundo onde as verdades se escondem atrás de sorrisos falsos, de palavras sem sentimento, de mentiras corroídas e de traições malfadadas. Gostei de te ter enquanto caía sem tu sentires. O tom da minha voz mudou, ficou vazio e sei que sentiste mas preferiste ir dormir. Talvez por achares que seria errado pronunciares-te sobre o assunto, mas eu gostei do que me disseste. “Onde está a Ritinha de antigamente?” Ao que o meu silêncio se fez soar, deixei cair uma lágrima silenciosa, a minha alma sentiu. “Perdeu-se”, respondi eu sem saber o que dizer. “Gosto mais desta”, entoaste tu. Eu mudei, tornei-me numa pessoa diferente do que a menina inocente que corria escadaria acima de cada vez que a tua turma entrava por querer que tu me visses. Cresci, mas não quero crescer. Se crescer é isto deixem-me a mim ficar pequena para sempre pois este não é o meu futuro, não é o que quero para mim. Não quero ser cínica, não quero ser arrogante e não ligar ao que os outros sentem. Hoje o meu mundo ruiu quando o que eu tomava como certo deu errado. Uma bruma de nevoeiro envolveu o meu mundo, silencioso, e revoltado. Afinal todos acham que sou uma criança e que tenho muito que aprender. E tu sabias, sabias e não me disseste. Talvez por não me quereres ver mal ou simplesmente porque nunca calhou em tema. Quero ser um camaleão. Mudar de pele, mudar. Uma palavra que me parece tão preciosa neste momento. Poder esconder-me na paisagem da vida sem que ninguém se deparasse com as minhas lágrimas e os momentos em que deixe que a solidão me possua o corpo. Sinceramente, já não sei o que ser, desisto de saber o que sentir. Vou caminhar, toma como certo que não paro. Não sei para onde vou, mas a vida tem o forte hábito de não parar por mim. Só quero ser feliz. De que me serve ter tantos rapazes atrás de mim se nenhum me faz feliz? Posso come-los, posso ser cabra tanto ou mais que eles mas não é isso que quero. Quero ter ternura, olhares, turras, compreensão, abraços, zangas e pazes. Quero uma mão, um telefonema, uma noite, um sentimento puro e verdadeiro. E até ao dia de hoje, a única pessoa com quem senti isso foi um forasteiro na minha vida. Chegou e partiu. Passou um ano, e eu esqueci. Demorei o tempo que foi preciso, muitos erros durante estes 12 meses, erros de quem ama e desespera. Agora basta. Queres-me? Faz por isso, eu perdi a fé no amor.
sinto-me: na merda
publicado por Lébasi às 00:03