Evidências

O ‘para sempre’ é relativo, e o amo-te irrelevante. Perdoa-me a estupidez mas está na altura de te abrir os olhos (mais a mim que a ti). As palavras serão eternamente as mesmas, o veneno que injectas na alma é precisamente o mesmo que te deixou mal anteriormente. O amor é a droga na qual todos são viciados, e tal como qualquer droga, quando se exagera na dose corre-se um risco de obter uma overdose.

 Encaro a overdose como o amo-te. Amar? Para quê render-me a tal estupidez? Para quê dar-me de corpo, alma e coração a alguém que sei que não estará a meu lado para sempre?

 As palavras serão sempre as mesmas, a dor aumenta em cada recaída e o caminho permanece com cada pedra. De nada adianta voar, usar um qualquer truque, que se iludam os tolos. Este caminho tem de ser percorrido passo a passo. Tem de se sentir a areia do chão, as pedras pequeninas e o arder das feridas de quando se tropeça. Calem-se as vozes que dizem ‘ só uma vez, bastou-me cair uma vez ‘.

 Ilusão meus amores. As lágrimas que caiem sobre o rosto não devem ser lamentadas mas sim expostas perante o Mundo como a marca da nossa existência.  Atingir a felicidade, é o que todos querem (daí a necessidade extrema de ter alguém com quem partilhar esse sentimento).

 Mas e o que é a felicidade? Ausência de dor? A cada pessoa compete a sua definição, a cada maestro a sua eterna melodia. Ninguém se atreve a perguntar a lunático porque prefere o outro mundo, ninguém se atreve a desautorizar conceitos ainda que diante do próprio espelho.

 Eu vou por ali. Ide, mas porquê? Porquê seguir o caminho cujo desfeche já sei de cor? E agora respondo, depois de me ter encarado a mim própria. Para quê dar-me de corpo, alma e coração a alguém que sei que não estará a meu lado para sempre?  É a lei da sobrevivência.

 Promessas, palavras, ousadias, aventuras, sussurros, olhares, toques, provocações, sentimentos, ódio, planos, futuro, presente, passado, voar, cair, erguer, chorar, tropeçar, sorrir.

 Proteger-me de ti significaria temer a vida.

 

Adoro-te.

 

 

 

publicado por Lébasi às 17:42