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Perdi-me na minha maturidade, na tentativa de enfrentar a tua partida sem ressentimentos. Mantive-me invicta olhando sempre de relance para ela. Mostrei-te sempre um sorriso que nunca senti, uma indiferença que nunca esteve presente na minha alma. Não podia mostrar-te mais de mim.

 Mas hoje não fui capaz. Hoje reparei em ti e não a tinhas por perto. O meu olhar percorreu cada traço do teu rosto. Olhaste-me ainda que de longe, só nós de novo. Não tínhamos um olhar nosso desde que abandonaste o que costumava ser o nosso mundo. Desviaste e eu também. Escondi-me por entre os corpos que me rodeavam e sussurravam palavras que eu não ouvi. Olhei de novo e fizeste o mesmo. Voltaste a desviar. O teu olhar nunca me mentiu, nem por uma vez que fosse.

 Ela apareceu e tu beijaste-a. E eu não quis olhar, virei costas e caminhei para longe dali saboreando a tua ausência a cada passo. Mas por dentro, implorei ser ela. Implorei poder abraçar-te sem ter de te largar novamente. Dar-te a mão e caminhar a teu lado enquanto contamos estrelas juntos. Implorei silenciosamente, mas as minhas preces de nada serviram.

 Tentei que cada gesto fosse o perfeito, que cada palavra fosse a certa, que cada beijo marcante, cada abraço inesquecível, cada momento único. Dei tudo de mim, apenas não chegou para ti.

 Quero-te feliz, mesmo que me corroa alma.

publicado por Lébasi às 22:02